Esse último acontecimento do pai que tirou a vida dos filhos e sua própria vida nos faz refletir que tipo de sociedade estamos construindo.
Estamos construindo uma sociedade onde o amor se confunde com controle, onde o ciúme é visto como prova de paixão e a possessividade como cuidado. Mas, no fundo, é medo de ser rejeitado, medo de ser abandonado. E nesse jogo se perde o mais importante: o respeito pelo outro. As pessoas não sabem lidar com frustrações, com os problemas, com o *não* . Ele não demonstra amor ou paixão, está mostrando receio. Medo de perder, medo de não ser amado.
E isso não é amor, é insegurança. A insegurança sufoca, prende.
Será que estamos ensinando os homens a serem donos, em vez de parceiros?
A rejeição dói, mas sufocar o outro dói mais. A liberdade é o maior presente que podemos dar a quem amamos.
E se, ao invés de controlar, aprendêssemos a respeitar, respeitar o espaço do outro, pois o outro é um ser independente, não um objeto.
O controle sufoca, a possessividade mata.
Não se engane com a fachada da perfeição.
Estamos criando uma sociedade na qual o *meu* é mais importante que o seu, as minhas vontades precisam ser atendidas, e se eu não tenho o meu objeto de desejo, eu o destruo, pois se não for meu, não será de ninguém.
E se não destruir o objeto de desejo, vai fazer pior, vai tirar o que as pessoas mais amam para punir, para a pessoa ter um sofrimento eterno.
As pessoas estão tão acostumadas a ter o outro como objeto, algo que completa, independente da vontade do outro, pois é a sua vontade que importa. E esse sentimento é perigoso, pois quando se normaliza a posse, estamos dizendo que o amor é sinônimo de controle. Amor é respeito, é liberdade. E deixar o outro ir mesmo quando dói, é saber respeitar o não do outro, mesmo quando não queremos ouvir esse não.
Quem ama, cuida, protege, perdoa.
Será que as pessoas precisam aprender o que é amar?
A vida é feita de escolhas, e o que você vai escolher?





